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Escrito por Débora Menezes
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Certamente se você presta atenção, percebeu que nos últimos dois anos o tema mudanças climáticas não saiu dos jornais e da TV. Mas você já parou para pensar como a mídia está mostrando esse tema?
Essa é a proposta da pesquisa Mudanças Climáticas na Imprensa Brasileira, produzida pela Agência de Notícia dos Direitos da Infância (Andi), uma ong que oferece diversos estudos interessantes apontando como a imprensa aborda assuntos que afetam a vida da criança e do adolescente no Brasil.
A pesquisa traz uma análise de 50 jornais brasileiros, entre julho/2005 a junho/2007. Nesse período, a equipe de pesquisadores avaliou quase mil matérias, entrevistas, artigos e editoriais sobre a abordagem que essas mídias deram ao aquecimento global, efeito estufa, e temas afins. Uma das conclusões mais interessantes: a abordagem do tema Mudanças Climáticas, na maioria das vezes, é alarmista, salientando as conseqüências negativas do aumento das temperaturas na Terra, por exemplo, deixando de lado a oportunidade de debater as causas e as soluções desse fenômeno.
É preciso avançar, alerta o documento, e relacionar o tema Mudanças Climáticas a questões como o desenvolvimento e as políticas públicas que deveriam interferir na busca de soluções para a questão. Catastrofismo vende jornal? É o pensamento comum, mas a imprensa precisa ir além disso e contextualizar melhor a questão. Afinal, educadores e estudantes se alimentam de jornais, revistas e programas na TV para se informar sobre o tema.
Uma proposta educomunicativa de trabalhar o tema Mudanças Climáticas na sala de aula e mesmo nos projetos de educação ambiental não formal é avançar na leitura de jornais, revistas e sites, e propôr aos alunos uma análise em pequena escala, durante um determinado período, do que saiu sobre o tema na imprensa. E posteriormente organizar os alunos, por exemplo, para escreverem um boletim ou um folheto sobre a questão, a fim de orientar a comunidade sobre a importância de se conhecer e discutir sobre as MCs. Além de desenvolver a atenção e as habilidades de leitura e escrita, o tema vai se aproximar da realidade dos estudantes.
O coordenador da pesquisa da Andi, Guilherme Canela, defende que as discussões sobre meio ambiente e cidadania só tem a ganhar quando os educandos questionam as informações da imprensa e se aprofundam na busca de novos contextos para entender temas como as Mudanças Climáticas, o que elas representam no dia-a-dia e o que pode ser feito para diminuir seus impactos negativos. No entanto, ele alerta: vale a pena o professor entender um pouco mais como trabalhar a chamada “educomunicação”, que entre outros trata do assunto "educar através da comunicação".
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Débora Menezes, jornalista e educadora ambiental |
Palpitando no MSREBEA