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ONG ACAJU sensibiliza comunidade caiçara na proteção do meio ambiente local PDF Imprimir E-mail
Escrito por C Diego   
Ter, 30 de Setembro de 2008 04:09
Fundada por caiçaras em 2000, a Associação Caiçara Juqueriquerê – Acaju, em Caraguatatuba, vem se tornando referência no litoral sul de São Paulo na mobilização pela conservação do rio Juqueriquerê e da cultura local.
A instituição desenvolve projetos envolvendo jovens para se comprometer na proteção dos ambientes naturais. Para tanto, promove o estudo do ecossistema, tendo em vista o desenvolvimento sustentável.  

De acordo com o presidente da Associação, Pedro Paes Sobrinho, há 50 voluntários cadastrados, inclusive crianças. “Todos os anos organizamos mutirões de limpeza do rio Juqueriquerê e das praias, com o apoio das escolas e comunidade da região. A tradicional Canoagem Ecológica conta com a participação de diversas pessoas que percorrem com suas canoas, barcos e caiaques as margens e áreas de manguezal do rio recolhendo o lixo”. 

Além dos mutirões, a ong promove atividades culturais e incentiva o artesanato local, com objetivo de difundir a valorização da cultura caiçara, principalmente junto às escolas do bairro de Porto Novo. “Nossa obra-prima vem sendo degradada há muitos anos. Existe lixo nas margens do rio, especulação imobiliária, ocupação irregular e desmatamento da mata ciliar, por isso, lutamos para preservar nossa riqueza natural”. 

Mobilização 
Segundo Pedro Paes, a mobilização é a principal técnica de restauro. “A mobilização tem sido um instrumento eficaz na conservação da biodiversidade. Envolver e sensibilizar as pessoas em uma causa comum, despertar o sentimento de pertencimento ao local e o seu potencial para contribuir com a ‘restauração’ de grandes obras-primas fazem parte do conjunto de nossas metas. Para alcançá-las utilizamos vários instrumentos, dentre eles canoas, barcos, caiaques, mãos, empoderamento local, noções de cidadania e a própria informação sobre meio ambiente e cultura caiçara”.
 
Atividades realizadas 
Vários passos já foram realizados como mutirões de limpeza do rio Juqueriquerê e das praias da região, além das atividades sócio-cultural para difusão da cultura local. “Temos vários parceiros, dentre eles a Escola Estadual Ismael Iglesias, voluntários da Acaju, colaboração e participação da população local e a Cooperativa de Reciclagem ‘Cata Tudo’”, disse Pedro Paes Sobrinho.  
Diretores, professores e alunos da Escola Estadual Ismael Iglesias conheceram de perto os problemas em torno do rio Juqueriquerê. A comunidade escolar e a ong Acaju, a cada dois meses, se envolve na limpeza do mangue e no final do ano a maioria da comunidade escolar participa do evento Caiaquere.  

Rio valente 
Pedro Paes sente orgulho do lugar onde mora e ao mesmo tempo indignação diante de irregularidades e problemas socioeconômicos. O nome do seu barco não poderia deixar de remeter à própria personalidade de seu dono: Valente. "Esse rio era de água cristalina, limpa. Tinha muito peixe. Nós ficávamos aqui sempre observando a água que corria dele... Então, com tristeza fomos vendo tudo se acabar. O tempo foi passando, a população aumentando... E muito lixo correndo rio abaixo. Por isso, decidimos fazer uma Associação em benefício do rio Juqueriquerê”. 

O rio possui um riquíssimo ecossistema de mangue, evidentemente comprometido pelos graves processos de poluição que o atingem. Sofre, ainda, processo de assoreamento que limita sua navegabilidade, prejudicando atividades tradicionais, como a pesca e o lazer náutico. "Tomávamos água dele porque ela era difícil de adquirir e o rio era nossa torneira, nossa cachoeira... Sobrevivemos dele através da pesca. Ele já me ajudou muito, por isso, estou aqui com bastante disposição para cuidar dele, denunciar o que tiver errado", comentou emocionado Seu Pedro. 

Aterro de área de mangue, esgoto despejado incessantemente no rio, dentre outros são alguns dos muitos problemas a serem enfrentados e solucionados. Como também é "muita" a disposição de pessoas iguais a “seu Pedro” que busca o resgate da cultura caiçara. O sotaque dele revela sons de tempos remotos de uma população que parece gostar de mostrar sua identidade. "Uma das principais irregularidades que tem aqui é o desmatamento. Tem muita marina querendo fazer entrada onde não pode fazer. É triste ver que as pessoas não tão respeitando a área de mangue", complementou Pedro. 

"Essa população nova que está vindo pra cá desconhece os conhecimentos dos caiçara. São ‘invasores do lugar’. É uma população que não tem demonstrado respeito pela natureza. É preciso ensiná-las a aprender a amar, a preservar e a conhecer os lugares que não podem mexer. Por isso, é importante uma associação que ‘dê uma olhada’. Senão, eles vão adentrar no lugar proibido, colocam o barraco lá e tiram a mata. Por exemplo, as palafitas estão todas no meio do manguezal", lembrou o presidente da Acaju. 

Saneamento básico 
A falta de saneamento básico é outro problema a ser solucionado. Segundo Pedro, apesar do trabalho da ong ainda há muito lixo no rio e muita coisa a ser feita. "A gente tá pedindo que se faça saneamento básico porque as casas à beira do rio jogam todo o esgoto nele. A maré cresce, dá um pouco de lavada nele. Se fosse um rio que não aumentasse o volume o resultado seria o mau cheiro. Às vezes, lembro-me de quando era criança. Eu corria pra lá e pra cá. Isso aqui era um areial só, não tinha esse lodo. Hoje em dia, se eu for entrar ali, eu vou atolar até o joelho, por causa do esgoto, além de ficar doente". 

“O que também está estragando o Juqueriquerê é o capim porque ele não é nativo do rio. Esse capim veio com material para fazer pasto para gado. Eles plantaram e depois as sementes dispersaram. Isso está aterrando o rio, pois quando o rio desce traz areia que vai acumulando na raiz do capim. Tô de olho no mangue porque quero analisar a reposição da natureza. O manguezal é muito importante, pois é berço de peixes, principalmente da tainha”, disse o ambientalista. Segundo Paes Sobrinho, um cidadão de uma imobiliária foi denunciado por colocar piões à noite para “retirar” o mangue. Hoje, o mangue está protegido. 

Parceiros 

Parcerias já são garantidas todos os anos, como a escola Ismael Iglesias cujo projeto está neste guia. Recentemente, a pareceria com a Cooperativa de Catadores “Cata Tudo” tem gerado renda para diversas famílias locais. “Eles participam ativamente da limpeza do rio. Promovemos passeio ecológico e acompanhamos o trabalho da cooperativa. O interessante é que a gente vai na escola e pergunta para as crianças e jovens se eles acham necessário ‘modificar’ a natureza. Para nossa felicidade, a maioria acha que tem que proteger o meio ambiente." 

"No Dia Mundial de Limpeza de Praia só daqui de Caraguatatuba tivemos a presença de 60 crianças. Eu nunca deixo de falar para elas respeitarem o meio ambiente. Que elas vão respirar sujeira se o ar estiver poluído. Também, que vão ficar doentes. Todos prestam muita atenção. O progresso tá vindo, as coisas vão se derretendo igual sorvete. Por isso, temos que preparar as crianças para denunciar”, comentou Pedro. 

Saiba mais:  
 
ONG ACAJU

Rua Ernesto Vitório Paes, 35 - Porto Novo - Caraguatatuba - SP

Tel.: (12) 3887 6037
 

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